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Projeto Polícia Comunitária em BH

CAPÍTULO I

Introdução

A combinação dos impactos causados à sociedade face ao aumento da criminalidade, fez com que as organizações responsáveis pela segurança de modo geral,  iniciassem um novo processo de se redescobrirem bem como qual seria o negócio destas organizações.

Mudanças seriam necessárias nos dois lados, ou seja, nos próprios responsáveis pela segurança, no caso específico a Polícia Militar de Minas Gerais, 34º BPM-9ª Cia Esp. e a comunidade local.

Foi verificado que os índices de criminalidade  se apresentavam em crescimento, porém, a sensação de insegurança crescia muito mais de forma alarmante e preocupante, sendo necessário diversas intervenções que resultassem em aproximar a Polícia Militar a Comunidade.

A proposta teria como objetivo inicial alcançar a confiança das pessoas  baseando-se no fato da natureza humana considerar que quando é defendida coletivamente uma idéia, esta exerce maior influência do que quando é exposta solitariamente.

Por esta razão, a construção de um projeto teria obrigatoriamente que atender a vários segmentos de forma a forjar uma coalizão em torno dos objetivos comuns que seriam: o retorno da sensação de segurança, a proximidade do policial militar com a comunidade, passando este a ser uma referência para o cidadão de bem, maior integração com a Polícia Civil com ações visíveis para a sociedade e sensibilização das pessoas para que mudassem alguns comportamentos.

O primeiro passo foi detectar locais onde existiam problemas específicos, para trabalhá-los individualmente, conseguir o reconhecimento de um grupo pequeno de pessoas, para depois ir alcançando o todo.

Coincidiu que à época do início do presente projeto, julho de 2004, estava sendo maciçamente divulgado pela mídia, a instalação do projeto “Olho Vivo” que consistiria em instalação de câmeras na área central da cidade de Belo Horizonte e, conseqüentemente, uma grande expectativa positiva havia se instalado na população. 3

Baseado no projeto das Câmeras, iniciou-se a idéia de que cada pessoa contatadas passasse a ser uma “câmera viva” repassando informações diretas para a Polícia Militar, que por sua vez, atuaria pontualmente.

Vislumbrando ainda a perspectiva de interação com a comunidade e a medida que iria se vivenciar novas experiências, o conceito inicial do projeto poderia ser alterado ou não.

Os 02 (dois) principais focos a serem atingidos, eram: O grande número de roubos e arrombamentos a veículos e a residências, especialmente na região do bairro Alto Caiçara, próximo ao Shopping Del Rey e os roubos a Postos de Combustíveis.

No primeiro, foi verificado um temor por parte dos moradores, que amedrontados, refugiavam-se em suas casas, sendo que muitos destes já estavam anunciando seus imóveis para venda, pois diante do número de delitos ali acontecidos, já haviam perdido todas as esperanças, tendo como única alternativa, segundo os mesmos, a mudança de bairro.

No segundo, foi constatado um aumento substancial de roubos a Postos de Combustíveis, e conseqüentemente, seus proprietários, gerentes e frentistas, encontravam-se temerosos, sendo que muitos destes, no caso específico dos frentistas,

já haviam comunicado aos seus respectivos patrões, que devido ao grande número de roubos e temendo por suas vidas, pretendiam mudar de emprego.

Desta forma, duas ações iniciais seriam desencadeadas, sendo a primeira denominada “Rede de Vizinhos Protegidos” e a  segunda,  foi  a  instalação  de “Cabines de Proteção Ativa”.

Capítulo II

Objeto

Este projeto tem por objeto aproximar a Comunidade da Polícia Militar,desenvolvendo atividades que compreendem estratégias aparentemente simples, bem organizadas, de fácil execução, eficientes, de baixo custo, elevado valor social, que reforça a presença se não ostensiva, pelo menos subjetiva, através da aproximação direta e constante, da Polícia Militar junto à população ordeira e pacífica da área sob responsabilidade da 9ª Cia Esp.

Não se trata de um projeto acabado, pois a cada dia, a cada reunião comunitária, novas proposições são apresentadas, discutidas e implementadas.

Completa o objeto a participação e a demonstração concreta de solidariedade entre as pessoas.

Diz o  art. 144 da Constituição Federal de 1988:  “A segurança Pública é dever do Estado e responsabilidade de todos”.

Cumprindo este preceito a Polícia Militar estará presente mas, só alcançará melhores resultados, se houver a participação de todos,  isto também equivale a dizer que as decisões passarão pelo  “chão da fábrica”,  onde, todos os policiais, de uma forma ou outra, se envolverão com as novas proposições.

A criatividade e a inovação, serão a mola mestra para se alcançar os

objetivos propostos. Todas as idéias e sugestões serão ouvidas, havendo coerência,

serão colocadas em prática.

Independente da funcionabilidade ou não do proposto, o princípio básico, ou seja, a participação de todos, conseqüentemente terá sido alcançado e a médio prazo. os resultados começarão a aparecer.

Capítulo III

Objetivos

Reduzir os índices de criminalidade nos locais onde serão implementados os projetos.

Aproximar a comunidade da Polícia Militar recuperando a sensação de segurança e a confiança da população na PMMG.

Criar em cada cidadão o sentimento de participação solidária e voluntária, onde cada pessoa passaria a ser uma “Câmera Viva” e conseqüentemente, subsidiasse a Polícia Militar com as informações referentes a Segurança Pública.

Garantir de fato à população, a sua segurança, fazendo com que a mesma volte a ocupar os espaços públicos, ruas, calçadas e praças.

Transmitir à população orientações que contribuam para que possa haver mudanças de comportamentos, fazendo com que todos adotem procedimentos que façam com que deixem de ser “possíveis” vítimas e passem a ser agentes de sua própria segurança.

Capítulo IV – Justificativa

Diante da impossibilidade da PM estar presente em todos os lugares e em todo o tempo, alternativas seriam adotadas, sendo que os próprios vizinhos de uma localidade deveriam passar a adotar estratégias que orientados pela PMMG, se protegeriam mutuamente.

Da mesma forma, não havia condições de lançar policiamento nos principais centros comerciais e, conseqüentemente, em postos de combustíveis, fazendo com que fossem adotados procedimentos que culminaram com as instalações de Cabines de Prevenção Ativa nestes locais.

Os elevados índices de roubo de veículos e a residências, além de postos de combustíveis e a transeuntes, poderiam ser explicados por diversos fatores, entre eles:

• Venda de bebidas para jovens em bares dos bairros da região;

• Ociosidade e vulnerabilidade dos jovens da comunidade ao crime;

•  Desestruturação da organização familiar, principalmente por parte de vários jovens.

A própria característica da área de responsabilidade da 9ª Cia concorre para a incidência de alguns tipos específicos de delitos na região. A Subárea 9 localiza-se na região noroeste de Belo Horizonte, sendo que ao sul limita-se com o 1º BPM e o 22º BPM (Av. Tereza Cristina e Via Expressa), à oeste com o 5º BPM e 8ª Cia Esp do 34º BPM (Via Expressa e Anel Rodoviário), ao norte com a 8ª Cia Esp e 17ª Cia Esp (Anel Rodoviário) e ao leste com a 21ª Cia Esp do 34º BPM (Av. Pres. Carlos Luz e Av. Pedro II).

Dos 10 (dez) principais corredores da Capital, pelo menos seis estão localizados nesta região, ou seja, Av. Tereza Cristina, Via Leste Oeste (Via Expressa), Av. Nossa Senhora de Fátima, Via Expressa, Rua Padre Eustáquio, Rua Pará de Minas, Av. Cícero Idelfonso, Av. Pedro II, Av. Pres. Carlos Luz e também parte do Anel Rodoviário. Devido a esta característica a subárea tem uma grande população flutuante e uma grande quantidade de veículos circulando nestes corredores.

Outra característica importante é a existência de Instituições de ensino na região. A Pontifícia Universidade Católica e a Universidade Newton de Paiva, localizadas respectivamente nos Bairros Coração Eucarístico e Caiçara, contribuem com um fluxo de pessoas elevados e, conseqüentemente, veículos estacionados nas proximidades destes educandários.

O Carlos Prates e  Padre Eustáquio são caracterizados por serem bairros antigos cuja população ao longo dos tempos conseguiu aumentar seu poder aquisitivo e na maioria das vezes são vítimas de furtos e roubos em residências, bem como de veículos. Estes, não raras às vezes, estacionados na rua devido à falta de espaço nas garagens.

Os bairros, Caiçara,  Alto Caiçara,  Monsenhor Messias e  Pedro II caracterizam-se por serem, bairros eminentemente residenciais, no entanto podemos destacar a Universidade Newton Paiva e o Shopping Del Rey, ponto comercial com presença de um público flutuante diário de aproximadamente 20 mil pessoas.

Capítulo V – Metodologia

PARA A REDE  DE VIZINHOS PROTEGIDOS:

A criminalidade origina-se por diversos fatores. No entanto, os requisitos para o sucesso de um crime são basicamente os seguintes:

•  Desejo do criminoso;

•  Ausência da polícia no momento do delito;

•  Oportunidade dada pela vítima.

Observa-se que estes requisitos são cumulativos, ou seja, o crime só ocorre se existirem os 3 juntos. Os 2 primeiros são decorrentes de problemas cujas soluções estão em esferas muito aquém da atuação da comunidade, bem como são de longo e médio prazo. No entanto, o terceiro requisito é afeto praticamente à atitude individual, cujas ações, além de serem de baixo custo, podem ser implementadas em curtíssimo prazo, ou seja, hoje mesmo.

Portanto, a proposta do Projeto seria  trocar a oportunidade dada pela vítima por cuidados e ações pró-ativas visando dificultar a atuação do criminoso.

Criar dificultadores para coibir a ação criminosa, tem por objetivo melhorar a proteção pessoal e patrimonial e conseqüentemente, o aumento da segurança e garantia da paz social.

As Ações propostas foram:

Sensibilizar as pessoas, fazer reuniões mais próximas da Comunidade que se quer alcançar, ingressar na Rede de Vizinhos Protegidos, criar as sub redes.

A Sensibilização dos Moradores

O artigo 144 da Constituição Federal conforme já referenciado, diz que Segurança Pública é dever do Estado e Direito e Responsabilidade de todos. Qualquer discussão sobre atribuição de responsabilidade exclusivamente ao Estado é uma negação que o indivíduo faz de sua cidadania, além de ser uma questão inócua, que não resultará em nada.

Em uma enquête realizada, sobre o tema: “O que você faz para cuidar, diariamente, da sua segurança e preservar o seu patrimônio?”, as respostas dadas pelas pessoas foram o seguinte:

•  9% confiam apenas na segurança que o Estado oferece;

•  23% adotam somente procedimentos pessoais acessíveis;

•  7% contratam empresas particulares;

•  60% confiam no Estado e adotam procedimentos pessoais.

Em outra pesquisa, foi formulada a seguinte questão: “Você seria solidário com seu vizinho acionando a Polícia Militar quando necessário?” As respostas foram:

•  96% disseram “sim”;

•  2% disseram “não”;

•  2% não conhecem o vizinho. 8

Através da união de todos é possível participar das cobranças, das ingerências, do planejamento das ações relativas à segurança pública. É preciso organização, interesse engajamento e comprometimento das pessoas, sendo fundamental a participação da comunidade nas ações que visam a sua segurança.

A Criação da Rede

Rede, neste contexto, é o conjunto de pessoas organizadas para executarem ações sistematizadas com o objetivo de coibir a ação de criminosos e garantir a segurança através de informações que seriam repassadas imediatamente a PMMG.

É o conjunto de moradores da localidade, agrupados em laços de até 5 (cinco) residências circunvizinhas. Como a rede é entrelaçada, uma residência poderá pertencer a 2 (dois) laços (grupos).

O principal objetivo de cada laço é a integração de todos os componentes para atuação de forma mútua e comprometida.

Para tanto, é necessário que todos se conheçam, seus contatos e seus hábitos.

Uma rede bem estruturada proporciona condições mais adequadas para discussão de problemas de maior complexidade facilitando a tomada de decisões.

Em um futuro próximo, cada laço terá seu representante, o qual funcionará como canal de comunicação com todos os demais laços e com a PMMG.

A formação de cada laço dá condições para a criação e sistematização da Rede de Verificação e da Rede de Vigilância Mútua.

As Sub-redes de Verificação

É a formação de uma cadeia de contatos de uma residência para a outra. Os integrantes da rede estabelecem a forma de atuação considerando a escala, horários, freqüência, senha, e outros fatores relevantes. Geralmente pode ser feita através do telefone e outras formas de comunicação.

As Sub-redes de Vigilância Mútua

É o processo de observação explícita à movimentação nas imediações da residência vigiada com a intenção de perceber a presença de pessoas ou veículos estranhos ou em atitudes suspeitas:

Apresenta ainda as vantagens de:

• Funcionar como uma “Câmera Viva’”;

• A Observação é explícita, acontece em tempo real;

• O sinal de perigo é dado através de sons (apito, por exemplo), através de códigos combinados semanalmente, através de lâmpadas instaladas nas casas com seus interruptores ligados nas casas vizinhas; No caso de necessidade, uma vizinho aciona o outro e este, a PMMG;

• É feita uma agitação barulhenta através de toda a rede, em caso de abordagem criminosa, ou outras formas a serem acertadas entre os vizinhos e a PMMG.

As Sub-redes de Identificação

É a identificação das casas, prédios e ruas com a utilização de placas

personalizadas que demonstram a todos que aquela rua ou residência, faz parte do

projeto da Rede de Vizinhos Protegidos com a Polícia Militar.

As Sub-redes de Proteção

Consiste no ato de um morador da própria residência verificar sempre a entrada e a saída de qualquer pessoa. Quando não tiver alguém de sua própria residência, a verificação deverá ser feita por uma das pessoas que fazem parte da sua Rede de Vizinhos Protegidos.

Para a implementação da  Rede de Vizinhos Protegidos, serão ainda necessárias, adoção de procedimentos, a saber:

• Participar das reuniões com a Comunidade e a PM;

• Construir sempre mais laços da Rede de Vizinhos Protegidos;

• Conversar com todos os membros da família, inclusive empregados, sobre medidas

de segurança;

• Acionar a PM nos casos de pessoas suspeitas ou possíveis ações de marginais; 10

• Participar do Conselho Comunitário de Segurança Pública – CONSEP;

• Monitoramento eletrônico e ou outras medidas necessárias para reforçar a segurança.

Ações para formação do laço da Rede:

✔  Definir os integrantes do laço;

✔  Marcar a primeira reunião;

✔  Conhecer os vizinhos;

✔  Compartilhar com os integrantes todas as formas de contato;

✔  Compartilhar com os integrantes os principais hábitos;

✔  Combinar, testar e praticar os sinais por som (apito);

✔  Manter padronização dos sinais da rede;

✔  Definir regra para entrada de pessoas na residência (leiturista, Vigilância Sanitária

etc.);

✔  Definir o Cronograma de reuniões de ponto de controle;

✔  Incentivar a criação de novos laços da rede;

✔  Repassar as ações para os próximos laços;

✔  Participar da simulação de emergência com a logística da Polícia Militar;

✔  Confiar na ação da PM;

Atualmente a região já conta com mais de 200 (duzentas) residências que formam a Rede de Vizinhos Protegidos, destacando-se as ruas: Pássaro preto. Beija-Flor Dourado e Pintagol no bairro Alto Caiçara, alguns quarteirões das ruas Francisco Bicalho, Tuiuti, Riachuelo e Progresso, no bairro Padre Eustáquio e Rua Monte Santo no bairro Carlos Prates.

Conta também com quase 100 (cem) comerciantes que instalaram as lâmpadas de emergência em seus comércios e os interruptores em seus vizinhos.

PARA AS CABINES DE PREVENÇÃO ATIVA

Cabines de Prevenção Ativa é uma outra forma idealizada pelo Comando da 9ª Cia Esp no sentido de fazer com que a comunidade, através da participação efetiva, contribua na redução dos índices de criminalidade.

Neste caso específico, foram detectados que os Postos de Combustíveis apresentavam um aumento do número de ocorrências em todos os turnos, o que, através de reuniões comunitárias, foi idealizado este modelo de Posto de Vigilância que sem a presença ostensiva da Polícia Militar, porém com passagens periódicas das viaturas, contribuía subjetivamente para com a diminuição dos índices, uma vez que, os agentes nunca poderiam prever em qual horário e ou dia da semana as viaturas passariam ou haveria militares naquele local.

As cabines são de Postos móveis de policiamento, feitos em estrutura

metálica, montada no sistema de encaixe, cobertura de lona, tipo PVC, na cor branca,

estampada a logomarca da Instituição.

A cabine é fechada em todos os lados , com espaço de aproximadamente de 0,50 cm na parte de traz, por onde é realizada a entrada e ou saída dos Policiais Militares.

Na parte frontal da cabine, existe uma bancada em madeira medindo 0,40cm X 1,5m, onde também é afixado, através de parafusos uma caixa para sugestões.

Esta caixa é feita em Metalon, medindo 0,30cm X 0,23cm X 0,23cm; na frente possui a logomarca da PMMG, nas laterais a inscrição PREVENÇÃO ATIVA e ainda em sua parte superior, os dizeres: “Fale com a PM”.

Esta é mais uma forma de comunicação e interação entre a Instituição e a Comunidade.

Acompanha a cabine um painel indicativo com dizeres, voltados tanto para frente como para os fundos. Na frente é descrito a logomarca da  PMMG, PREVENÇÃO ATIVA, e a indicação do Batalhão e Cia de Origem. Na retaguarda repete-se a logomarca da  PMMG substitui-se a inscrição  PREVENÇÃO ATIVA por PONTO DE APOIO e vê-se a indicação do Batalhão e Cia.

A implementação destas CABINES DE PREVENÇÃO ATIVA, na sub-área contempla os seguintes objetivos:

1 – Aproximação da Polícia Militar com a Comunidade local;

2 – A ação preventiva reforçada pela presença objetiva e subjetiva da PM, em locais onde se constatou índices elevados de criminalidade violenta;

3 – Devido ao baixo custo, sua fácil montagem e locomoção, possibilita deslocamentos para outros locais;

4 – As Cabines, possuem características que agradam a comunidade, sendo que no local instalado verificam-se a presença sublimar da Polícia Militar;

5 – São instaladas, mesmo diante do baixo efetivo existente nas Cias Especiais, pois não é necessário serem escalados policiamento a pé no local;

6 – Possibilitam ao Policial Militar, local para registro do BO, ou seja, enquanto um dos militares preenche o Boletim, os demais realizam contatos comunitários interagindo-se com a população local;

7 – Diariamente, viaturas tipo MP, realizam Pontos Base nas cabines e aproveitam para recolherem as sugestões e ou críticas deixadas, ou seja, trata-se de mais um elo de comunicação entre a PM e a comunidade. Vale a pena salientar que os papeis para as sugestões e críticas são repassados a comunidade pelos próprios comerciantes da região. As informações, queixas e sugestões, são encaminhadas diariamente a este Cmt Cia, que adota as providências pertinentes;

8 – Percebe-se nos locais onde foram instaladas as Cabines na área da 9ª Cia, houve redução da incidência criminal desejada;

9 – A experiência da instalação destas Cabines tem despertado bastante a atenção e procura por parte da população, comerciantes e Associações de Bairro, solicitando a viabilidade de expansão da idéia para outros locais.

Existem hoje, 15 (quinze) cabines já devidamente instaladas na sub área da 9ª Cia.

Capítulo VI – Cronograma de Ação

Rede de vizinhos protegidos

• Ir de casa em casa convidando todos os moradores de determinada área para participarem de uma nova forma de agir entre a PMMG e a Comunidade;

• Marcar a data da 1ª reunião, com os moradores. No local onde foi instalada a primeira Rede de Vizinhos, as primeiras reuniões aconteceram no início do mês de julho de 2004, e para surpresa deles próprios, muitos daqueles moradores, nunca tinham sequer se visto, mesmo todos morando a mais de 05 (cinco) anos naquele endereço, fato que aconteceu em outros locais onde também foi instalada a Rede;

• Sensibilizar os moradores a adotarem um comportamento mais solidário e que realmente acreditassem na Polícia Militar.

• Solicitar aos participantes, a convidarem, cada um, pelo menos mais três moradores da rua a fazerem parte do projeto;

• criação da sub redes rede proteção mútua, rede de vigilância, rede de casas identificadas;

• escolha do líder de quarteirão e líder das casas-elo;

• reuniões mensais e quinzenais que servem de terapia de grupo, cada um, expõe suas dúvidas quanto a segurança e idéias;

• divulgação para a mídia em geral com objetivo de maior adesão  de outros moradores;

• Incentivar os moradores a acionar a PM no caso de qualquer suspeição.

Cabines Prevenção Ativa

• Visita aos postos com orientações básicas;

• Reunião setorizada com donos de postos, orientando que o fato de que a Cabine estar alí não lhe trará nenhum privilégio;

• Discussão sobre como e quem irá adquirir as cabines;

• Aquisição das cabines;

• Convencimento da tropa a engajar no projeto; 14

• Escala de vtr para pontos base nas cabines;

• Reunião mensal para identificação de participação, sugestões, críticas;

• Expansão do projeto para outros centros comercias, (adoção pelo CPC para outras UEOp);

• Divulgação para a mídia em geral com objetivo de maior adesão.

Mudanças no modo de agir referente ao Policiamento Preventivo da 9ª Cia Esp.

• Setorização e sub-setorização da área da 9ª Cia, atribuindo responsabilidade a

todos os integrantes que atuam no rádio-patrulhamento;

• Implementação de nova modalidade de policiamento (Bike-Patrulha);

• Mudança do foco, orientando toda a tropa a adotar um novo comportamento junto a toda a comunidade, ou seja, a sensação de “ter visto” a viatura policial, foi substituída pela real presença do policial junto ao cidadão.

Capítulo VII – Conclusão

O Homem, entre todos os seres, é o único que tem a faculdade de acumular bens materiais e intelectuais, valores, informações e experiências. E a experiência o ensinou e o capacitou a ser previdente, sob pena de perecer em situações de crises, deixando de contribuir para o progresso da vida e do próprio Planeta.

A participação de cada cidadão é fundamental para a prevenção da criminalidade. Não ficar “esperando ou apenas cobrando” por atitudes e ações do poder público mas, interagir, principalmente em ações integradas e objetivas.

É dessa forma que os moradores dos bairros da região Noroeste de Belo Horizonte, área da  9ª Cia do 34º BPM, estão agindo, em parceria com a Polícia Militar, para driblar os números da violência.

Todo o trabalho é desenvolvido através de estudos, onde o objetivo principal é conhecer o ambiente em que o problema está inserido para facilitar o processo de análise das possíveis causas e efeitos do que está acontecendo.

A quantidade e qualidade das informações obtidas têm impacto decisivo na solução das crises, assim a adoção das  “Táticas tradicionais”, aquelas em que as atividades básicas de policiamento, não deram certo, estão sendo modificadas.

Já a utilização de  “Táticas não-tradicionais”,  aquelas que estão ligadas a ações comunitárias do tipo: organização da comunidade, educação da população, alteração do contexto físico, mudanças no contexto social e da seqüência de eventos, provoca a alteração no comportamento dos potenciais agentes de delitos, fazendo com que a prática delituosa seja, senão totalmente erradicada daquela localidade, pelo menos se reduza a índices aceitáveis.

Outras demonstrações efetivas desta tática não tradicional, são as reuniões constantes e monitoradas pela Polícia Militar onde, moradores e comerciantes da região reúnem-se com policiais militares, para discutirem um planejamento de interação e até mesmo de ação.

Neste encontro, são discutidas a aplicação de medidas de segurança, além da apresentação de algumas ações que têm dado resultado na comunidade.

O objetivo básico, “trocar a oportunidade dada pela vítima, por cuidados e ações pró-ativas visando dificultar a ação do criminoso”, cria mecanismos que coíbem a ação criminosa.

Todos os seres humanos são diferentes, cada um com seu jeito de ser; suas manias; Mas constata-se que os vizinhos são as pessoas mais próximas que atuando de forma orientada, podem subsidiar a Polícia Militar a agir pontualmente e reduzir a criminalidade.

Através de pequenas mudanças de comportamento, maior solidariedade entre as pessoas e, conseqüentemente, a adoção do projeto aqui referenciado, Polícia Militar e comunidade, conseguiram ao longo dos últimos 12 meses reduzir a quase zero todos os índices de crimes nos lugares onde estes foram implementados.

Esta redução, conforme pesquisas realizadas pelos órgãos especializados da Polícia Militar, confirma o acerto na adoção das medidas, o que aumenta a segurança, garante a paz social dos cidadãos de bem, fazendo com que se inverta uma situação muito comum até pouco tempo atrás, o cidadão de bem recluso em sua casa, temeroso de sair às ruas e o cidadão infrator confiante na impunidade, a agir de forma agressiva e não raras às vezes, ostensivamente.

Hoje, nos horários vespertinos, já se pode observar, ainda que timidamente, o retorno das pessoas às praças e avenidas, em suas  “Caminhadas”,  ou apenas conversando ao cair da tarde.

Observou-se que até mesmo nos períodos em que as residências estavam sem seus moradores, períodos estes decorrentes de viagens de Natal, Fim de ano e Férias, as estratégias desenvolvidas, se mostraram eficientes e eficazes, ou seja,  sempre com a orientação e participação da PM,  a segurança das residências foi mantida, sendo registrado um índice baixíssimo ou quase nulo de ocorrências de roubo e ou furto a residências.

A relação da comunidade com a 9ª Companhia é de extrema confiança e respeito, existe uma referência direta entre os policiais e a Comunidade, assim, se acionados através de telefones previamente repassados, ou via 190, a presença da PM será imediata, o que tem acontecido e reforçado a relação entre os moradores e a Polícia Militar.

O conceito  “Câmeras Vivas” já é uma realidade em nossa área, inúmeras são as pessoas dos diversos bairros de Belo Horizonte que procuram informações para implantação do Projeto em suas regiões, até mesmo de outras cidades. Por fim, constata-se  que aonde foram implementados os projetos, as pessoas já se sentem tranqüilas, confiantes e na certeza de um futuro melhor.

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